| |
Nada na vida acontece ao acaso... (parte 1)
Saudações queridos amigos!
Acabei de escrever um conto, espero que gostem! Um grande abraço!

John vivera toda sua vida em intensas ilusões, que consistiam de pequenos egocentrismos e inúmeros ideais não muito convincentes. Hoje, aniversário de seus 27 anos, considerava-se um homem feito, maduro e esperto. Seu rosto juvenil escondia um olhar tenso, quase sempre distante.
Mas, nada o fazia refletir sobre que tipo de homem que ele era, ou melhor, que ele pensava ser, mas não era. Ele existia, mas não posso afirmar que tinha vida. Só sei que num dia frio do mês de julho, apareceu-me aquele rapaz esguio, insosso e desprovido de alegria na Rua das Araras número 200. Sempre que eu passava nessa rua, e o tinha que fazer diariamente, tinha a sensação desagradável que algo aconteceria em breve naquela casa sombria e desumana, onde viviam os Gray. Esta, era uma família ao mesmo tempo intrigante e envolvente.
John Gray era como o pai, Ernest Gray, um homem sombrio e triste, pareciam mais mortos do que vivos. Julgavam-se melhores que os outros, mas nem sei se tinha capacidade de julgar alguma coisa. Rita Gray, mulher de Ernest era tensa, desconfiada e estava sempre a olhar quem passava em frente à sua janela. Camisa de botão, saia prissada até os joelhos, sempre o mesmo sapato preto e surrado e quase sempre com um lenço roxo na cabeça que escondiam seus poucos fios de cabelo. Dos Gray, Rita pelo menos era a mais convincente.
Insensatez preponderante foi ter colocado nas mulheres o sexto sentido, pois é causa de sofrimento constante no coração de mulheres despreparadas e aguçados sentidos, que fazem enxergar algo que não é para ser visto, ou não deve ser notado. Talvez Rita, por debaixo da fisionomia entorpecida, possuísse também os mesmos sentimentos, mas isso eu não sabia.
Não estaria eu menosprezando tal dádiva, mas sim, admirando a forma adstringente que tal sentimento influenciava minha vida desde então.
Mas este não era este o único motivo que me fazia voltar os olhos àquela casa e àquela estranha família. É fato, que as pessoas entram e saem de nossas vidas e mal percebemos. Porém, estas, não saiam de meus encontros diários e não me saíam da memória, mesmo que eu tentasse.
Não sei se por preconceito ou aflição, mas deparei-me com este sentimento de total aversão pelos Gray. Nada do que faziam parecia-me fazer sentido: a roupa que vestiam, o sorriso amarelo e falso com que cumprimentavam, tudo era estranho, bizarro demais para acreditar que se tratassem de seres humanos. Seres humanos, eu me indagava, seriam eles humanos?
O que me deixava enfurecida não era o simples fato de fantasiar coisas que pudessem acontecer, mas sim, a certeza de que em breve estariam consumados esses meus pensamentos entorpecentes.
Tinha essa certeza pois, meus pressentimentos eram fundamentados em vivências anteriores, não falo de outras encarnações, pois nisso não acredito. Falo de pessoas que passaram pela minha vida ocasionalmente, mas por destino ou punição, eu enxergava através dos olhos das pessoas. Via fatos bisonhos que marcariam a vida delas. Uma morte repentina, uma doença, um assassinato, uma catástrofe, uma desilusão... enfim, era eu simplesmente olhar para um transeunte e ver além de seu simples existir. Fixava, pois, meus olhos nos deles, e fossem estes castanhos, amendoados, verdes, azuis ou violetas eu enxergava com a nitidez do sol do meio dia, o que aconteceria em breve na vida desses.
Escrito por Paty às 22h35
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Nada na vida acontece ao acaso... (parte 2)
Mas John talvez fosse só mais uma pessoa enterrada no labirinto dele mesmo e de suas infundadas ilusões, que de um certo modo todos nós temos. Era estranho, mas talvez todos nós sejamos de alguma forma. Há muito tempo que aqueles pensamentos onipresentes não mais me perturbavam a mente. Já me considerava feliz e vivia sorrindo, existindo simplesmente, sem enxergar nada além de um olhar carente, exigente ou mesmo indiferente.
Mas a mania que tem toda mulher de ver além do que deve ser visto é que talvez tenha causado todos esses aborrecimentos. Eu, Ingrid Parker, sinceramente, já havia decidido esquecer tais acontecimentos e tocar minha vida, mas infelizmente eles eram mais fortes do que eu.. eram inevitáveis e inconseqüentes... Vinham sem me pedir permissão, e como abutres sentavam em minha cabeça, e comiam meus pensamentos como carniça, devorando assim meus sentimentos, minha vida, meu direito de existir.
Nessa hora, eu não passava de um instrumento o qual não tinha utilidade melhor que fazer o que tinha de ser feito, ou seja, prever acontecimentos entorpecentes. Qual o quê, aceitei-os de uma vez para não sofrer em demasia.
John Gray assassinaria sua esposa, com uma facada no peito, direto ao coração (que coração?) que transpassaria em suas costas, tudo por causa de uma briga, aparentemente sem importância, mas que significaria a vida de uma pobre mulher, dedicada, respeitada, com sonhos, aspirações e sentimentos, e com um filho no ventre ainda não revelado à ninguém.
Que destino era aquele? Que mundo eles pertenceriam? Quem seriam àquelas bizarras criaturas, tão egocêntricas que não percebiam o mal que estavam causando à humanidade? Seriam eles cientistas, mágicos, ou apenas pessoas insanas vivendo num mundo complicado demais para entendermos ?
Nada mais fazia sentido naquela manhã nublada, dia quatro do mês de julho. Eu, esposa de John Gray, Ingrid Parker, havia me arrumado para ir ao shopping com Antony, irmão de meu melhor amigo, quando de repente, John com uma faca afiada como sua língua, me transpassou o coração, a alma, meu ser e fui sentindo em minhas entranhas, seu prazer em tirar-me à vida refletindo...
- Sim, está acontecendo tudo exatamente como vi dentro de seus olhos, John Gray...
Escrito por Paty às 22h34
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |

Saudade
Pablo Neruda
Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já ... Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida ... Saudade é sentir que existe o que não existe mais ... Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam ... Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou. E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido ...
Escrito por Paty às 13h16
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |

"Devemos viver e não simplesmente existir"
Escrito por Paty às 22h47
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
Saudações queridos amigos... Como fã incondicional de Hilda Hilst, aqui vai uma crônica muito bem humorada da Hilda.. Espero que gostem... Só não concordo com a parte de parar de comer carne... Rs... Adoro uma picanha !

Tô Só
Crônica de Hilda Hilst para o "Correio Popular" de Campinas-SP
Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.
Escrito por Paty às 14h00
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |

Os Poemas
Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...
Mário Quintana
Escrito por Paty às 17h00
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
| |
[ ver mensagens anteriores ] |
|
|
|
|